Vem aí um verão abaixo da média na Baixada Santista

 Fonte : A Tribuna (Santos), por Ronaldo Abreu Vaio

Nota da Redação: Você que é constantemente bombardeado com notícias sobre o aquecimento global deve estar com a pulga atrás da orelha. Porque será que se noticia o calor e dezembro se mostra frio, com todos ainda usando as roupas de inverno? Pois é. Diversas correntes científicas vem alertando sobre sobre a possibilidade do resfriamento do planeta, entre eles o prof.Luiz Carlos Baldicero Molion, da Universidade Federal de Alagoas, para quem "não há aquecimento global, mas arrefecimento". Os pesquisadores do Projeto Portal também alertam sobre essa possibilidade. Agora, uma reportagem no jornal A Tribuna, de Santos, corrobora essa informação.

Este ano foi o décimo mais quente do mundo desde 1850, quando as medições da temperatura começaram a ser feitas. A novidade, divulgada pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), promete esquentar ainda mais os debates sobre o aquecimento global. 
 
Mas, do global ao regional, o que se vê é um clima de ponta-cabeça. Pois, se o mundo vem padecendo de calor este ano, a Baixada Santista, e Santos em particular, vivem uma pequena era do gelo  – guardadas as devidas proporções. Segundo o físico e astrônomo Rodolfo Bonafim, até aqui, o ano de 2011 foi o mais frio na região, nos últimos dez anos.  
A média das temperaturas máximas neste ano está em 24,82 graus, e a das mínimas, em 18,2. Para se ter uma ideia, em 2003, essas médias estavam em 25,55 e 19,6 graus, respectivamente. 
 
A culpa do frio além da conta por estas paragens recai sobre o fenômeno La Niña, de resfriamento das águas do Oceano Pacífico, que aconteceu no fim do ano passado. Como os oceanos têm comunicação entre si, a água é uma só. Assim, o reflexo desse resfriamento invade o Oceano Atlântico e chega ao Litoral Paulista. 
 
“Perdeu força no final de janeiro, mas persistiram resquícios até abril. O resultado foi um outono bem ameno. E agora, em novembro, está voltando (a La Niña)”, diz Bonafim, que é o dono da, provavelmente, única estação meteorológica instalada em Santos, em sua casa, na Vila Belmiro.
 
O meteorologista do site Climatempo, André Madeira, confirma o resfriamento no Sudeste brasileiro e prevê um verão menos quente. “Nesta primavera, as temperaturas estão abaixo da média. E a tendência é que permaneçam assim”. 
 
Fenômenos 
La Niña é o oposto de El Niño – o aquecimento das águas do Pacífico. Os fenômenos são sazonais e ocorrem intercalados, com prevalência do El Niño. Só que, nos últimos anos, essa regrinha vem sendo subvertida: a quantidade de La Niñas tem superado a de El Niños. 
 
E não é só isso: segundo a Organização Mundial de Meteorologia, o La Niña  do ano passado, que se estendeu até maio deste ano, foi o mais intenso dos últimos 60 anos.
 
Ou seja, tanto a intensidade quanto a frequência dos fenômenos parecem estar mudando. Em 2009, por exemplo, houve um inverno chuvoso, com 250 milímetros – nível equivalente ao de fevereiro, por causa do fenômeno. 
 
As causas disso são nebulosas. Mas podem estar ligadas ao propalado aquecimento global. Isso mesmo: a anomalia que faz 2011 o ano mais frio dos últimos dez, em Santos, pode ser fruto de um planeta mais quente. 
 
Padrões climáticos
A razão disso é que temperaturas mais altas acirram e modificam os padrões dos fenômenos climáticos. "Uma chuva de granizo isolada em São Paulo, por exemplo, não é causada pelo aquecimento global. 
 
Mas, se você pegar as chuvas de granizo dos últimos anos e ver a intensidade e a frequência com que aconteceram, aí, sim, você pode apontar para o aquecimento”, explica o doutor em Meteorologia e especialista em mudanças climáticas Fábio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 
 
Da chuva de granizo à Niña tresloucada dos últimos tempos: consequências diferentes, uma (e mesma) causa possível. “Ano a ano, viemos batendo o recorde: as nove maiores temperaturas da História aconteceram nos últimos 12 anos”, ressalta Nobre
O aquecimento global é causado pela grande quantidade de gases emitidos pelo Homem, especialmente o carbono – o mais comum, na produção de energia. “Em 1960, a quantidade de gases aumentava uma parte por milhão (em proporção, na atmosfera) ao ano. Hoje, essa velocidade de aumento é de três partes por milhão”, calcula o especialista. 
 
Uma consequência extrema, e ainda muito distante, desse processo – “em um cenário de filme de Hollywood”, comenta Nobre – seria a inviabilidade da agricultura. “O clima desordenado pelo aquecimento causaria a ruptura das cadeias de produção natural. Você teria chuva, quando se esperava estio; e estiagem severa em época de chuva”. 
 
Em outras palavras, o caos. Evitá-lo é uma questão de sobrevivência. Afinal, seria triste um mundo em que o Sol despontasse sem que houvesse olhos para contemplá-lo.(Fonnte: http://www.atribuna.com.br/noticias.asp?idnoticia=125944&idDepartamento=5&idCategoria=0)