A infertilidade humana e animal têm relação com o uso de agrotóxicos. A declaração, do pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Sérgio Koiffmann, é baseada em estudos preliminares da entidade.
Segundo o pesquisador, foram coletados dados que demonstram que os pesticidas estão atuando no organismo e podem estar mexendo na cadeia hormonal. Ao serem analisados espermogramas, o levantamento sugere uma tendência de queda na quantidade e qualidade dos espermas dos homens e dos animais mamÃferos.
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CÂNCER
Outro alerta do pesquisador é com relação ao crescimento do Ãndice de pessoas com câncer, que pode estar relacionado ao uso de agrotóxicos, basicamente através da alimentação. "Não são só as pessoas que manipulam que estão sujeitas a adquirir doenças causadas pelo uso do agrotóxico; a população geral também está", afirmou. Koiffmann citou diversos tipos de câncer que têm aumentado na população, como o de próstata, testÃculos, mama, ovário e tireóide.
O pesquisador da Fiocruz afirmou que, além de ter crescido o número de pessoas que fazem tratamento para fertilização, também foi diagnosticado um número excessivo de crianças com má-formação, doenças congênitas e abortos.
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EMBALAGENS VAZIAS
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O diretor do departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Girabis Evangelista Ramos, disse que o Brasil já avançou muito no controle da aplicação de agrotóxicos devido à legislação que protege o meio ambiente. Ele admite, entretanto, que ainda há falhas que precisam ser corrigidas, entre elas, a destinação final das embalagens vazias.
Segundo Ramos, a questão já foi incluÃda na legislação, mas a fiscalização precisa ser mais rigorosa, pois há uma preocupação com a toxidade das embalagens que são altamente poluentes. O diretor esclareceu que seu setor está capacitado a acompanhar a venda e o local onde está sendo aplicado o produto, mas não consegue controlar o destino das embalagens vazias. "Os prejuÃzos para a saúde dos trabalhadores rurais são incalculáveis".
O gerente-geral de toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meirelles, afirmou que o mau uso do agrotóxico está relacionado a uma série de doenças graves, entre elas, o câncer e a intoxicação por quem manipula, porque não se protege.
MINISTÉRIO PÚBLICO
O procurador da República Francisco Guilherme Bastos destacou que o papel do Ministério Público da União (MPU) sobre os agrotóxicos é de fiscalização. Para ele, a falta de estrutura dos órgãos competentes leva ao agravamento dos problemas causados pelos pesticidas.
Segundo Bastos, os setores responsáveis pelo controle do uso de agrotóxicos não têm atendimento especializado e muito menos capacitação. Ele alertou que as normas vigentes precisam ser mais rÃgidas no controle desses produtos.
O convidado ressaltou a ação pública do MPU que conseguiu erradicar do mercado o conhecido DDT, usado para matar formigas e que era vendido indiscriminadamente pelos supermercados. "O Ministério Público não é contra agrotóxicos, mas vê seu uso como um mal necessário. É preciso buscar alternativas tecnológicas para diminuir a dependência desses produtos".
Francisco Bastos esclareceu que muitos agrotóxicos que ainda estão no mercado brasileiro têm registro com base em um decreto de 1934. O procurador disse que, de lá para cá, já foram editadas novas normas e, por isso, defende a revogação do decreto e que os produtos autorizados por esse instrumento sejam todos reavaliados.
Fonte: www.justicaambiental.org






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