De onde viemos ?

PDF Imprimir E-mail
(0 votes)
Escrito por Eduardo D.S.   
Tuesday, 24 de July de 2007

Todos os humanos modernos se originaram na África do sub-Sahara, de acordo com um novo estudo chamado pelos seus financiadores de “golpe final” contra pontos de vista opostos. Nem tanto, diz um antropólogo que encontrou falhas nas evidências.
comparação de crânios do sub Sahara (Nigéria, à esquerda) e Austrália (à direita). Credito: Tsunehiko Hanihara
Debates sobre as origens dos humanos modernos despontaram entre antropólogos por anos por causa de uma teoria que determina que o Homo sapiens teria migrado por todo o mundo de um único local na África. Outra teoria determina que múltiplas populações evoluíram independentemente do Homo erectus em regiões além da África.

O novo estudo, publicado na edição de 19 de julho da revista Nature, mostra que os pesquisadores afirmam que pode ser o veredicto final ao apoiar a teoria de um único ponto de origem “vindo da África”.

“Nós combinamos nossos dados genéticos com novas medidas de uma grande amostragem de crânios para mostrar definitivamente que os humanos modernos se originaram de uma única área no sub-Sahara africano”, disse a pesquisadora que coordenou o estudo, Andrea Manica da Universidade de Cambrige, Reino Unido.

Vindos da África

Andrea e seus colegas tomaram diversas medidas de mais de 4.500 crânios de fósseis masculinos de 102 populações ao redor do globo. Eles combinaram os resultados com dados de estudos de variações genéticas em humanos, descobrindo que a variação de ambos (genética e crânio) diminui à medida que se distanciavam da África. Portanto, populações ao sudoeste da África detém a maior variabilidade comparada com populações em outros países.

“Os humanos parece ter se espalhado à partir da África ao redor do globo, mas de maneira tão uniforme que você consegue entender a perda gradual de diversidade”, afirma o membro da equipe William Amos.

Os resultados também são conclusivos quando os cientistas levaram em conta o clima, pois mudanças climáticas podem levar à mudanças nas características do crânio. “Climas bastante frios tendem a gerar têmporas mais espessas. Se isso ocorre para manter as terríveis nevascas longe dos olhos, eu não sei”, disse William.

Estudos anteriores baseados na morfologia do crânio foram fracos e apóiam ambas das teorias das origens humanas.

O estudo “adiciona uma forte linha de evidência para a [hipótese da] origem africana usando esta morfologia”, disse o palentólogo Will Harcourt-Smith do Museu Africano de História Natural em Nova York. Ele não esteve envolvido no atual estudo.

Voz dissonante

No entanto, John Hawks da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA) afirma que o artigo está “enganado”. Uma grande falha é que o estudo atual é amplamente baseado na variação do crânio.

“Você não pode encontrar a origem das pessoas medindo a variabilidade de seus crânios”, disse Hawks.

Diferenças nas características do crânio estão relacionadas à genética e variações genéticas dependem de uma grande mistura de ocorrências em outras populações. “O maior problema com o artigo é que ele utiliza afirmações de artigos sobre genética de 10 a 15 anos atrás que hoje sabemos que estão erradas”, disse Hawks.

Outros cenários, além da teoria da origem única podem ser levados em conta sobre a ligação entre distância e variabilidade craniana. “A África é ecologicamente diversa e a variação cranial ocorre em função dos ambientes”, ele disse. Em ambientes que suportam comidas duras como raízes, as pessoas necessitam que os músculos das suas mandíbulas sejam maiores e com isso maiores áreas para que os músculos se prendam, portanto maiores crânios.

Inclusive, corrigir o estudo através do clima não é uma boa idéia, de acordo com ele. “A característica mais importante que está relacionada com o clima é o tamanho do crânio. Portanto, ao corrigir através de mudanças climáticas eles estão subtraindo um grande componente da variabilidade”, ele afirmou.

Impossível de resolver?

Em sua própria pesquisa, Hawks descobriu que a seleção natural leva a mudanças em milhares de genes durante apenas poucos milhares de anos.

“Eu estou pensando exatamente o oposto deste artigo”, disse ele. “Há diferenças no crânio entre populações, incluindo sua variabilidade, mas é na sua maioria devido a efeitos recentes e não à origem dos humanos modernos.”

Ao final do dia, a resolução do debate de que “viemos da África” pode ser impossível, ele disse. A maioria da evidência pode ser interpretada para basear ambas as teorias da origem humana. “É realmente difícil encontrar observações que distinguiam ambas”, disse Hawks.

“A idéia multiregional é idêntica à idéia recente da origem africana, exceto por sua previsão que europeus e asiáticos tiveram origem em uma única população que não se extinguiu”, disse Hawks.

Encontrar uma resposta ainda intriga os paleontólogos. “Para saber a maneira na qual nosso ancestral direto evoluiu dos primeiros hominídeos e também de quais espécies morreram e quais não morreram” disse Harcourt-Smith, “nos dá uma indicação sobre o processo atual da evolução humana”.

fontes: http://www.livescience.com e http://tecnocientista.info

Última Atualização ( Tuesday, 24 de July de 2007 )
 
< Anterior   Próximo >

Home
Assuntos
Equipe
Notícias
Ufologia
Links
Busca
Chat
Agradecimentos
Parceiros
Notícias por email
Contato
Translate
Tamanho do texto
A+ | A- | Reset
Formulário Login





Perdeu sua Senha?
Não se cadastrou? Cadastre-se já !
Visitantes: 116144