Opção por produtos saudáveis já é considerada doença |
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| Escrito por eliane | |
| Sunday, 20 de May de 2007 | |
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Enquanto no mundo todo aumenta a cada dia o número de pessoas que buscam por uma vida mais saudável, optando por viver com menos tecnologia e aderindo a uma alimentação saudável, psicólogos e nutricionistas americanos já identificaram uma nova doença que, segundo eles, afeta 2% da população nos Estados Unidos. Trata-se da “ortorexia” ou a obsessão pelo consumo de alimentos saudáveis.
Muitos jovens já vêm lutando contra a anorexia, outra doença “estimulada” que é a recusa do paciente a manter um peso corporal na faixa normal mínima, associada a um temor intenso de ganhar peso. Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou do tamanho do corpo e, assim sendo, a recusa alimentar é apenas uma conseqüência dessa distorção doentia do esquema corporal. O termo Anorexia pode não ser de todo correto, tendo em vista que não há uma verdadeira perda do apetite mas sim, uma recusa em se alimentar.
Neste caso, a própria mídia ao incentivar modelos magérrimas como um padrão de beleza criou esta doença nervosa que é um transtorno alimentar caracterizado por limitação da ingestão de alimentos, devido à obsessão de magreza e o medo mórbido de ganhar peso.
A obsessão pelo consumo de alimentos saudáveis, conforme Javier Aranceta, vencedor do prêmio Grande Covián 2007 e professor de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Universidade de Navarra, disse que na Espanha não há estudos sobre o número de pessoas que sofrem da patologia. Mas ela já é vista no país como uma "moda emergente" de "autistas alimentícios com tendência à infelicidade".
O acadêmico constatou que a ortorexia é um "fenômeno crescente". Com o tempo, ela pode ser equiparada a outros problemas de saúde, como a anorexia, a bulimia ou a obesidade. Ele recomendou medidas preventivas para deter o seu crescimento, entre elas a educação desde a infância com hábitos alimentícios saudáveis. Mas o que seriam estes alimentos saudáveis? Por acaso estariam nos alimentos congelados, enlatados ou embutidos? Claro que uma alimentação necessita de proteínas, carboidratos, gorduras, fibras, cálcio e outros minerais, como também rica em vitaminas. Para isto necessitamos de uma dieta variada, que tenha todos os tipos de alimentos, sem abusos e também sem exclusões.
Variar os tipos de cereais de carnes, de verduras, legumes e frutas, alternando as cores dos alimentos. As vitaminas e minerais é que dão as diversas colorações. Alguns dos sintomas da ortorexia são "passar horas no supermercado" lendo a composição dos alimentos e comprar unicamente os orgânicos, macrobióticos, dietéticos, integrais, sem aditivos, e com garantias de que não contêm conservantes, pesticidas nem herbicidas.
Dedicar grande parte do dia a decidir meticulosamente o que se vai comer, evitar reuniões sociais e jantares para não "cair na tentação" de ingerir outro tipo de produto, pesar os alimentos e sentir "grande culpa se quebrar as regras" são indícios preocupantes, na opinião da especialista.
Os médicos consideram que a falta de auto-estima e o medo do fracasso são outros condicionantes que acompanham os pacientes, disse. E o número de ortoréxicos aumenta a cada dia no seu consultório. Os especialistas apontam outros fatores que desencadearam a tendência. O culto ao corpo e a publicidade de produtos supostamente saudáveis ou enriquecidos estão entre os mais importantes.
Aranceta afirmou que o ortoréxico se "enche" de produtos funcionais com o objetivo de ficar saudável. Porém, deixa de consumir "80% de outros que são mais saudáveis e básicos para o organismo".
Os doentes, em muitos casos "hipocondríacos e excessivamente rígidos em seus comportamentos", acabam acumulando algumas substâncias em excesso, enquanto carecem de outras fundamentais.
Nos Estados Unidos, cujas tendências são difundidas para o resto do mundo, ganharam força as campanhas sobre o problema dos alimentos geneticamente modificados e a ameaça de doenças como a da "vaca louca". O país hoje tem o maior número de supermercados ecológicos do planeta.
Aranceta afirmou que o melhor para se ter uma alimentação saudável é a "variedade". Só nela, explicou, "está a possibilidade de adquirir todos os nutrientes".
O acadêmico destacou que, "além da perda de tempo para medir milimetricamente o que se come", não é fácil encontrar produtos orgânicos. E eles também representam um elevado custo para os gastos com alimentação, aumentando em até 15 vezes a despesa de uma pessoa normal.
"Atualmente vivemos em uma sociedade de aparência e de um culto extremo ao material, deixando quase em último plano o que é realmente necessário", disse Borges. A psicóloga ressaltou que o organismo do ser humano é "amplo, completo e complexo" e que por isso seu cuidado exige "ações pragmáticas, coerentes e equilibradas".
Borges também comentou que "a vida é muito mais flexível e dinâmica em todos seus aspectos" e afirmou que "a preocupação excessiva com a meticulosidade da comida" leva, pelo menos, a "mau humor, mal-estar e inquietação, e acaba com a saúde física e mental".
Como conselho, ela sugere uma mudança baseada em hábitos alimentares que "certamente será difícil, mas é uma questão de força de vontade". Para a psicóloga, é errado "esperar ficar doente para pôr a mudança em prática".
"É preciso tratar o problema levando em conta a razão de se estar centrando sua vida em comer desta forma", disse Borges, que defendeu o "aumento da auto-estima" dos doentes, "valorizando seus aspectos pessoais que não estão ligado a erros e defeitos".
É necessário refletir sobre as conseqüências ruins das suas condutas e também "ampliar seu círculo de amizades", que só é possível "com pessoas otimistas, positivas e com um bom senso de humor".
Como sempre, é necessário separar e evitar os exageros. O importante é uma dieta balanceada, com muitas frutas e verduras, com o cuidado de não se deixar influenciar pelos modismos e pelas influências da mídia, que lança padrões de beleza ou de consumo a todo instante, influenciando populações em todo o planeta. Nada melhor do que ter opinião própria e a constante pesquisa pelo conhecimento. Somente o conhecimento pode deixar o home inume ás influências tecnológicas e dos modismos da mídia.
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| Última Atualização ( Sunday, 20 de May de 2007 ) |
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